Medicamento experimental reverte perda de memória em modelos animais de Alzheimer:
- À Sua Saúde

- há 17 horas
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Pesquisadores da Universidade de Barcelona desenvolveram um composto experimental chamado FLAV-27, que apresentou resultados promissores em modelos animais de doença de Alzheimer. Diferente das terapias atuais, que se concentram principalmente em remover placas de beta-amiloide no cérebro, essa nova abordagem atua de outra forma: reprogramando a atividade genética dos neurônios. Ao corrigir alterações na expressão de genes associadas à doença, o composto busca atuar diretamente nos mecanismos que contribuem para sua progressão.
Hoje, alguns dos medicamentos mais recentes para Alzheimer atuam removendo o acúmulo da proteína beta-amiloide no cérebro. Embora representem um avanço, esses tratamentos têm eficácia limitada e geralmente conseguem apenas retardar parcialmente o declínio cognitivo. O novo composto segue uma estratégia diferente ao atuar sobre uma enzima chamada G9a, envolvida na regulação epigenética — um conjunto de mecanismos que controlam quais genes são ativados ou silenciados nas células do cérebro.

Nos experimentos realizados em laboratório e em modelos animais, a inibição dessa enzima pelo FLAV-27 reduziu marcadores clássicos da doença, como o acúmulo de beta-amiloide e proteína tau, além de melhorar aspectos funcionais importantes. Os pesquisadores observaram melhora na memória de curto e longo prazo, na memória espacial e no comportamento social, sugerindo que o tratamento pode não apenas atuar nos marcadores biológicos da doença, mas também restaurar funções cognitivas.
Outro achado relevante foi a identificação de biomarcadores que podem ser medidos no sangue, como a proteína SMOC1 e a molécula p-tau181. Esses marcadores refletem processos importantes da doença, como acúmulo de proteína tau, inflamação no cérebro e grau de comprometimento cognitivo. Nos modelos animais tratados com o novo composto, esses indicadores voltaram a níveis próximos do normal, acompanhando a melhora da memória e de outras funções cognitivas.

Apesar dos resultados promissores, o medicamento ainda está em fase pré-clínica, e novos estudos de segurança e eficácia serão necessários antes do início de testes em humanos. Mesmo assim, a pesquisa abre caminho para uma nova geração de terapias que atuam nos mecanismos epigenéticos do Alzheimer, com potencial para modificar o curso da doença.






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