Uso intenso de chatbots de IA pode estar associado a episódios psicóticos, alertam pesquisadores:
- À Sua Saúde

- há 1 dia
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Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Francisco (UCSF), em parceria com a Universidade Stanford, vêm investigando relatos de episódios psicóticos associados ao uso intenso de chatbots de inteligência artificial. Embora o fenômeno ainda não seja uma condição médica formal, especialistas chamam o quadro de "psicose associada à IA", destacando a necessidade de atenção clínica e científica.
O alerta ganhou força após a descrição de um caso clínico atendido na UCSF: uma mulher sem histórico prévio de psicose passou vários dias com privação de sono e uso intenso de chatbots. Nesse período, desenvolveu crenças delirantes de que poderia “recriar digitalmente” um familiar falecido com a ajuda da inteligência artificial. Partes das respostas do próprio chatbot foram incorporadas ao conteúdo dos delírios, reforçando a convicção da paciente. Ela acabou sendo internada e tratada para psicose.

Os psiquiatras envolvidos explicam que ainda não está claro se o uso excessivo de chatbots pode desencadear episódios psicóticos, agravar um risco já existente ou apenas coincidir com o início dos sintomas. Fatores como privação de sono, uso de estimulantes e tendência a pensamentos mágicos parecem aumentar a vulnerabilidade. Além disso, os chatbots são projetados para serem empáticos e concordantes, o que pode, em algumas situações, validar ideias distorcidas em vez de questioná-las.
Para avançar na compreensão do problema, equipes da UCSF e de Stanford planejam analisar registros de conversas (logs) entre pacientes e chatbots, buscando identificar padrões de linguagem que possam sinalizar sofrimento psíquico ou risco de crise. A expectativa é que esses dados ajudem tanto profissionais de saúde quanto empresas de tecnologia a criar barreiras de segurança, especialmente para pessoas vulneráveis e adolescentes.

Enquanto novas evidências são produzidas, os pesquisadores recomendam cautela no uso prolongado e intenso de chatbots de IA e orientam que profissionais de saúde perguntem explicitamente sobre esse uso durante consultas. A mensagem central é clara: a inteligência artificial pode ser uma ferramenta útil, mas não substitui acompanhamento humano, especialmente quando se trata de saúde mental.






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